24/11: do pipeline de produção ao “faça e publique” do indie capixaba

O Vitória Game Party – 4ª edição, realizado no Centro Universitário FAESA (Vitória-ES), entrou na semana decisiva reforçando seu compromisso com formação e difusão de conhecimento no ecossistema local de jogos. O evento teve período de realização de 24/11/2025 a 29/11/2025, com programação voltada a estudantes, desenvolvedores e entusiastas.

A agenda do dia 24/11 reuniu duas apresentações com perfis complementares: de um lado, uma visão estruturada do processo de desenvolvimento; do outro, o relato prático de quem está construindo um projeto autoral e aprendendo “na marra” a sustentar um jogo ao longo do tempo.

Na palestra “A Arte de Desenvolver Jogos – uma visão simplificada do processo de desenvolvimento de um jogo”, o empreendedor e criador de conteúdo Wenes Soares apresentou uma narrativa que começa antes do consumo e passa por etapas essenciais como criação, publicação e distribuição.

Ao contextualizar o setor, ele destacou o peso econômico da indústria de games e comparou o mercado a outras indústrias de entretenimento, sinalizando por que “fazer jogo” deixou de ser nicho para se tornar uma cadeia produtiva robusta.

Um dos pontos altos foi a explicação direta de como um jogo é desenvolvido a partir das game engines, e por que ferramentas como a Unity ganharam espaço: comunidade ampla, Asset Store, versatilidade (2D/3D) e portabilidade (mobile, consoles e VR) aparecem como critérios de decisão para quem está escolhendo tecnologia e pipeline. Na sequência, Wenes sintetizou o fluxo de produção em uma linha clara — Pré-produção → Produção → Lançamento → Pós-produção — reforçando que desenvolvimento não termina no “lançou”: há suporte, patches e evolução contínua.

Fechando com um olhar de futuro aplicado ao presente, ele tratou do impacto da IA no cotidiano de estúdios e criadores, apontando usos em concepção/ideias, roteiro, programação/lógica, referências, tradução, marketing e produtividade/organização.

A palestra também trouxe blocos dedicados a caminhos de publicação, destaques nacionais e exemplos de projetos, além de chamadas formativas para quem quer dar os primeiros passos.

Na segunda apresentação do dia, Henrique Teodoro, fundador da JHT Games, trouxe um recorte mais pessoal e empreendedor: com 4 anos no desenvolvimento de jogos e foco em jogos 2D e narrativas impactantes, ele apresentou a equipe e o caminho de construção do Infinitevania, um metroidvania inspirado em Castlevania: Symphony of the Night e Hollow Knight.

A apresentação listou integrantes e funções do time — da composição e sound design à direção de arte e animação — evidenciando a natureza multidisciplinar de um projeto indie.

Henrique também abordou marcos práticos de produção (como um primeiro projeto remunerado desenvolvido em 5 semanas) e a estratégia de presença em eventos, citando participações e agendas como BGF 2024 e outras vitrines relevantes para jogos independentes. palestra vitoria game party JHT O “lado de mercado” apareceu ainda no mapeamento de influenciadores que já tiveram contato com o jogo, com números de audiência que ajudam a dimensionar o alcance potencial dessa relação para visibilidade e comunidade. 

Por fim, a fala ganhou força ao explicitar os desafios comuns do desenvolvimento independente — conciliar trabalho e projeto, falta de recursos, lidar com feedbacks duros e manter motivação — e ao transformar isso em conselho acionável: começar pequeno, aprender ferramentas (Unity, Godot, UE), criar rotina, participar de game jams, fazer networking e publicar algo (mesmo simples)

As fotos registradas no auditório reforçam esse clima de troca: público atento, apresentação com conteúdo técnico e uma cena que se repete em ecossistemas que crescem de verdade — pessoas diferentes, níveis diferentes, mas uma mesma direção. O dia 24/11, ao juntar método (processo) e chão de fábrica (trajetória indie), virou um retrato fiel do que o Vitória Game Party se propõe a fazer: colocar a comunidade em movimento, com referência, prática e rede. 

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